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O propósito desse artigo é expor, sucintamente, como a Psicoterapia Cognitivo-Comportamental compreende e trata as pessoas que apresentam dependência de drogas.
Porém, antes de prosseguir gostaria de delimitar o que é comumente entendido por dependência química. Assim, são os seguintes os critérios diagnósticos:
Um padrão de uso de substâncias que causa incapacidade ou desconforto, conforme caracterizado pela ocorrência de 3 ou mais dos seguintes itens em um período de 12 meses:
1) Tolerância: necessidade de quantidades cada vez maiores da substância para atingir o efeito desejado.
2) Síndrome de Abstinência.
3) A substância é tomada em quantidades maiores ou por períodos de tempos mais longos do que o intencionado.
4) Desejo persistente ou esforços sem sucesso para diminuir ou controlar o uso da substância.
5) Muito tempo gasto par ter a substância, no seu uso e na recuperação de seus efeitos.
6) Abandono ou redução significativa de atividades sociais, ocupacionais ou recreacionais.
7) Persistência no uso da substância apesar do reconhecimento de um problema físico e/ou psicológico causado ou exacerbado pelo uso da substância.
De acordo com apsicoterapia cognitivo-comportamental, a pessoa contribui para a sua dependência. Desse ponto de vista são os seguintes os pressupostos que melhor explicam o comportamento do dependente químico:
1) o comportamento da pessoa dependente está num continuo de freqüência e ocorrência, desde o uso esporádico, "normal"e freqüente;
2) o uso da droga representa uma resposta frente a situações de conflito e/ou sentimentos negativos e estímulos estressores;
3) a maioria dos eventos de nossa vida (família, trabalho etc) podem ser exemplos de estímulos estressores;
4) fatores determinantes desse comportamento são vulnerabilidade aos estressores, déficit ou excessos comportamentais, história de vida e as demandas sociais;
5) é importante levarmos em conta os fatores associados à recaída, que são: estados emocionais negativos, conflitos interpessoais, pressão social para a droga, expectativas acerca dos efeitos positivos do uso da droga; tais situações podem ser enfrentadas se a pessoa desenvolve um senso de auto-eficácia e uma resposta de enfrentamento;
O modo como a dependência química se instala na vida das pessoas segue, geralmente, o seguinte percurso: o uso de drogas começa na adolescência. As primeiras experiências envolvem o uso de cigarros, álcool, maconha e outras substâncias. Em seguida, a pessoa passa a usar estas substâncias esporadicamente, depois o faz de modo sistemático. Instalada a dependência, os interesses se voltam progressivamente para a droga, o que o acaba por influenciar áreas importantes da vida da pessoa. Muitas destas pessoas atribuem sua dependência às dificuldades experimentadas, quando o que acontece é exatamente o contrário. Além disso, em situações mais graves, a pessoa pode passar a cometer crimes para obter a droga.
O Tratamento Cognitivo-Comportamental
De acordo com o modelo cognitivo-comportamental os programas de tratamento devem sempre abordar os seguintes aspectos: médico, ocupacional, financeiro, legal, psicológico e social. Além disso, os seguintes fatores determinam o curso do tratamento: gravidade dos episódios de intoxicação e risco de morte, ocorrência de complicações graves como psicoses ou infeções, co- morbidade (depressão e ansiedade) e a probabilidade de sintomas de abstinência. Assim, ao iniciarmos um tratamento cognitivo-comportamental devemos levar em conta:
¨ Abstinência: a maioria dos médicos recomendam um período imediato de desintoxicação ambulatorial ou hospitalar, sendo que os métodos de desintoxicação variam de acordo com a droga usada, porém, o princípio básico é substituir a droga por uma outra que tenha os mesmos efeitos, mas que possa ser reduzida de forma controlada, ou dar uma droga que alivie os sintomas da abstinência.
¨ Reincidência: a dependência é, por sua natureza, um transtorno com recaídas, sendo assim, a reincidência deve ser encarada como uma oportunidade ara um aprendizado adicional e não como indicativo de um fracasso total e irremediável, portanto a recaída pode ocorrer várias vezes até que o cliente supere totalmente a dependência.
Etapas Do Tratamento Cognitivo-Comportamental
No que se refere, especificamente, ao tratamento psicológico esse deverá abordar os seguintes passos:
Engajamento: o primeiro objetivo do tratamento deve ser o estabelecimento de um clima de confiança o mais rápido possível, pois o cliente dependente de drogas geralmente despertam uma reação dicotômica por parte dos outros: eles o tratam como doentes ou são rejeitadores e pouco solidárias. Além disso, o cliente dependente de drogas quer mudar um aspecto do seu comportamento porque este gera conseqüências desagradáveis e não porque este comportamento é intrinsecamente desagradável, ou seja, existe uma ambivalência com relação ao objetivo do tratamento. Assim, sua motivação é instável, dependendo de circunstâncias externas, do humor e de uma série de outros fatores. Os fatores situacionais são, freqüentemente, sinalizadores para o consumo de drogas. Em vista da dificuldade que as pessoas têm para pensar em respostas racionais diante da fissura, pode ser necessário ensaiar auto-afirmações, as quais também podem ser lembradas de várias formas.
¨ As crenças mais comuns nessas pessoas são "se eu sinto fissura pela droga, então não tenho controle sobre mim mesmo", "sou muito fraco para poder controlar-me", "deixar as drogas é algo que tenho que fazer sozinho", "vou ficar careta se parar de usar a droga", "a droga me relaxa e me deixa mais à vontade". O processo de desafio às suposições segue um curso similar aos diversos outros tratamentos: identificação da suposição, análise dos prós e contras envolvidos nesta crença, desafio da crença, testes comportamentais.
¨ O Enfrentamento da Recaída: envolve a avaliação dos efeitos da violação da abstinência, a avaliação das atribuições relacionadas à recaída, a identificação de possíveis distorções cognitivas, a restruturação cognitiva e reatribuições.
Conclusão
De tudo o que foi visto até o momento que o ponto central desse modelo de tratamento reside, basicamente, em acreditar que o cliente que procura tratamento não é apenas um doente incapaz, e nem uma pessoa desprovida de "falta de caráter"; ao contrário, ela é responsávael, no mínimo, por manter seu atual estado de dependência química;
o processo de recuperação da dependência é lento, doloroso e repleto de obstáculos, portanto, prever e criar formas de lidar com esses obstáculos deve ser um objetivo do processo psicoterápico.
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