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Antes de abordar o tema propriamente dito desse artigo, considero importante definir o que, a meu ver, vem a ser psicoterapia, para a partir daí apresentar a noção de Relação Terapêutica. Assim, quando falamos de psicoterapia implícito está a referência a uma preparação técnica e uma assimilação de conhecimentos teóricos e pessoais, específicos de cada terapeuta e de cada cliente. A partir de tal preparação, terapeuta e cliente estão prontos para, juntos, reconstituirem as vivências do último, bem como reconstruirem cognitiva e emocionalmente a sua história pessoal. Já no que diz respeito aos seus objetivos, esses podem ser organizados da seguinte maneira:
1) ajudar a pessoa que busca psicoterapia a desenvolver um conhecimento abrangente e realista de si mesmo;
2) ajudar o cliente a desenvolver uma congruência ou coerência entre seus sentimentos, crenças e comportamentos;
3) ajudar e incentivar o cliente a enfrentar suas dificuldades, estimulando-o a persistir em seus esforços de enfrentamento;
4) ajudar o cliente a perceber suas alternativas de funcionamento, as quais dependem de uma escolha pessoal.
Situamos a Relação Terapêutica como o meio onde tais objetivos se realizam, ou seja, ao nos propormos, como psicoterapeutas, a atingir tais objetivos, estaremos tomando parte de um processo cujo contexto é eminentemente social. E é através do relacionamento com o terapeuta que o cliente pode perceber e experienciar uma oportunidade de poder expressar seus sentimentos, valores e crenças. Genericamente podemos dizer que o terapeuta nesse relacionamento assume diversos papéis, entre os quais podemos citar o de reforçador, o de modelo, além do seu papel pedagógico, o qual, por sua vez, implica num domínio teórico e numa percepção apurada na utilização das diversas técnicas. Mais especificamente, podemos dizer que a Relação Terapêutica tem como suas principais características:
Uma atitude calorosa do terapeuta que facilite a correção de distorções perceptivas e cognitivas do cliente, assim como permita a este último se sentir uma pessoa aceita a despeito de suas dificuldades e, até mesmo, contrária à forma distorcida com que o cliente se percebe.
Uma percepção precisa e, ao mesmo tempo, compreensiva (no sentido de tentar penetrar no mundo do outro) das expectativas e motivações do cliente.
Uma atitude verdadeiramente autêntica do terapeuta, a partir da qual o ele possa transmitir para o cliente uma visão de sua situação, ao mesmo tempo realista, confiável e aceitadora.
Uma cooperação por parte de cliente e terapeuta para que os objetivos que foram estabelecidos possam ser atingidos de forma eficaz.
Estabelecimento de limites claros, firmes e razoáveis de modo a facilitar ao terapeuta o controle da relação e, consequentemente da terapia.
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