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PARTE 1 - MEDO

1. INTRODUÇÃO

Este artigo é um resumo de um curso gratuito dado na Universidade Estácio de Sá, em janeiro de 2001, no Rio de Janeiro, sob o título "MEDO, ANSIEDADE E DEPRESSÃO: COMO ENFRENTÁ-LOS. Aqui serão apresentados, sucintamente, os conceitos básicos que possibilitam a compreensão do que vem a ser medo, ansiedade e depressão, bem como sugestões de como lidar com eles. Para tanto, são mostradas definições e sugeridas atitudes que podem, se concretizadas, levar ao enfrentamento bem sucedido das complicações derivadas do medo e ansiedade exageradas e da depressão. Ao final, indicamos uma bibliografia, para permitir, aos interessados, um maior aprofundamento nos temas tratados. Desde já, e sempre, ressaltamos que a leitura de qualquer texto sobre questões psicopatológicas, se não for apenas por curiosidade intelectual, não deve substituir, nunca, a consulta a um profissional da área de saúde mental, um psiquiatra ou psicólogo. Em outras palavras, se a pessoa tem um problema decorrente de medo ou ansiedade exagerados, ou acha que está deprimida, deve procurar um psiquiatra ou psicólogo, para uma correta avaliação de seu caso.

2. MEDO
2.1. Conceituação
O medo é um sentimento de forte inquietação face a um perigo real ou imaginário. O medo não é ruim, em si, pois ele nos leva a evitar situações de perigo, mesmo quando não estamos conscientes do mesmo. Mas se ele fica exagerado, a ponto de impedir que as atividades cotidianas seja executadas, então é hora de enfrentá-lo, senão para eliminá-lo, pelo menos para diminuir seu poder incapacitante.

Quando o medo é desproporcional, persistente e infundado, pode-se falar de uma fobia, que é uma reação de medo exagerado e irracional frente a um objeto reconhecido, pelo fóbico, como inofensivo. É o caso de fobias relacionadas a lugares escuros ou altos e a animais domésticos, como gatos e cães ou a insetos, tais como baratas. A fobia mais comum é a chamada agorafobia, em que ocorrem reações de medo intenso em situações em que a pessoa se sinta aprisionada, sem controle ou sem condições de ir para um lugar seguro.

2.2. Como Enfrentar o Medo
Para os propósitos desta apostila, estaremos nos centrando no medo que, embora exagerado, não chega a se caracterizar como fobia. É o caso, por exemplo, do medo de assaltos que nos faz evitar o ônibus como meio de transporte, mas que não nos impede de tomar um ônibus, se não tivermos outra alternativa. Ou o medo de alturas que nos dificulta chegar na grade da varanda de um prédio muito alto, mas não nos impede de fazê-lo, se necessário ou desejável (para apreciar uma vista bonita, por exemplo). As fobias serão vistas no tópico sobre a ansiedades e seus transtornos

Uma "receita" simples para enfrentar nossos medos consiste em:

· Conhecer mais sobre o objeto de nosso medo, pois a familiaridade com ele vai terminar por diminuir o medo dele. Se você tem medo de voar de avião, leia sobre eles, visite o Museu Aeroespacial, veja filmes sobre aviões, converse com pilotos. Assim, você vai aprender como os aviões são o meio de transporte mais seguro que existe, mais seguro até que as bicicletas (há quatro vezes mais probabilidades de se morrer de um acidente de bicicleta do que da queda de um avião).
· Não evitar as situações que causam medo, pois isto só leva a perpetuá-lo. Se formos evitar, sempre, todos os nossos medos, vamos acabar trancados em casa, com medo de que um avião ou meteorito nos caia na cabeça. Como dizia João Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: Veredas, um dos maiores escritores brasileiros de todo os tempos: "viver é muito perigoso". Temos que entender e aceitar que os riscos fazem parte de nossa vida e que assumi-los é essencial para termos uma vida de boa qualidade. Além do mais, quando conseguimos nos manter na situação, o medo tende a diminuir. Portanto, não fuja dos seus medos, enfrente-os!
· Praticar meditação ou alguma técnica de relaxamento, que possa ser empregada na hora do medo, para ajudar a enfrentá-lo. Uma técnica interessante é o relaxamento por sinal, quando associamos a uma palavra como "calma" o estado de tranqüilidade induzido por técnicas de relaxamento. Então, na situação de medo, a evocação da palavra "calma" pode contribuir para nos tranqüilizar.
· Ir aos poucos. Se tivermos medo de baratas, o melhor é começar a ler sobre elas, ver ilustrações ou fotos delas. Só quando estas atividades não mais se mostrarem incômodas é que devemos buscar um contato ao vivo com baratas, indo a um lugar onde sabemos que as encontraremos, como um depósito de lixo.
· Manter uma atitude mental positiva constante, para evitar suas tentativas de enfrentamento do medo seja atrapalhadas pelo negativismo de pensamentos como "eu não vou resistir ao medo" ou "eu não consigo resistir ao medo". Ao contrário, diga-se coisas como "eu posso resistir", "eu quero resistir", "eu consigo resistir", que funcionarão como um suporte psicológico importante nos momentos de medo. Aliás, a atitude mental positiva constante ajuda sempre, em qualquer situação. Tente passar a se dizer mentalmente, em situações complicadas, a seguinte frase: "Calma, tudo vai acabar bem". Você vai ver que terá mais disposição para enfrentar as dificuldades e para aceitar os inevitáveis fracassos que nos ocorrem de vem em quando.

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